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Glicodelina-A e IGFBP-1

A glicodelina e a IGFBP-1 são duas proteínas secretadas pelo endométrio que podem desempenhar importantes papéis na receptividade endometrial durante o período de implantação e na manutenção da gravidez.

IGFBP-1

A IGFBP-1 (Insulin-like growth factor binding protein 1) também é conhecida por proteína placentária 12 (pp12), BP-25, alfa-1-PEG (alpha1-pregnancy associated endometrial globulin) e proteína de ligação da somatomedina. É um produto da secreção do endométrio/decídua, tendo 25 kDa. Pode ser detectada no soro, no líquido amniótico, no fluido folicular e no líquor.

A IGFBP-1 é uma proteína com ações parácrinas que facilitam o processo de adesão na interface feto-materna durante o período peri-implantacional. Em mulheres não gestantes, a IGFBP-1 é produzida principalmente pelo fígado e tem sua produção inibida pela insulina. Na gestação, passa a ser produzida também pelo estroma endometrial. Maiores taxas de abortamento observadas em pacientes com SOP podem estar relacionadas a uma supressão da produção de glicodelina e de IGFBP-1 pela hiperinsulinemia. O uso de metformin em mulheres como SOP não gestantes resulta em aumento de 3 vezes da glicodelina sérica e de 4 vezes da IGFBP-1 sérica.

Glicodelina

A glicodelina humana, anteriormente conhecida por proteína placentária 14 (pp14) ou proteína uterina alfa-2 é uma glicoproteíma com marcantes atividades imunossupressoras e contraceptivas. É produzida e secretada pelo epitélio glandular endometrial, também sendo produzida pelas vesículas seminais.

No útero, a síntese de glicodelina-A é temporariamente regulada pela progesterona. Durante a janela de implantação com forte predomínio estrogênico, a ausência da síntese de glicodelina-A é significativa, porque ela inibe a ligação espermatozóide-oócito. A síntese endometrial de glicodelina pode ser induzida, na janela estrogênica de implantação, pela administração de progesterona (como é o caso do DIU de levonorgestrel, por exemplo).

A glicodelina é uma glicoproteína produzida por glândulas endometriais secretoras / deciduais durante a fase lútea. Acredita-se que ela facilite o processo de implantação por inibir a resposta imune endometrial à presença do embrião. A glicodelina inibe a reação linfocitária mista e a atividade de células NK.

Concentrações séricas reduzidas de glicodelina estão associadas a um desenvolvimento endometrial retardado (aparentemente, também apresenta um efeito sobre a diferenciação epitelial), abortamento precoce e abortamento de repetição. Alguns estudos relatam concentrações reduzidas de glicodelina no soro (na fase lútea) e em lavados uterinos de mulheres com infertilidade sem causa aparente e abortamentos de repetição.

Já se observou, também, o aumento da glicodelina sérica em mulheres com SOP que fizeram uso de metformin fora do período gestacional. Representam um mecanismo para explicar as menores taxas de abortamento observadas em mulheres com SOP que fizeram uso de metformin no primeiro trimestre da gestação. Já foi demonstrado que a glicodelina sérica se correlaciona com a concentração endometrial (TRH leva a uma maior elevação da glicodelina em mulheres com útero quando comparadas às histerectomizadas).

Portanto, dosagem de glicodelina e de IGFBP-1 pode ser útil na identificação de mulheres com risco aumentado de abortamento. Intervenções que elevem a concentração sérica de glicodelina e de IGFBP-1 (como o metformin) podem ser úteis na prevenção de abortamento em mulheres com SOP e talvez outros tipos de infertilidade relacionados a hiperinsulinemia.

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